O amor é um abismo... e você tem três opções!
PRIMEIRA:
Dar pelo menos dez passos para trás, afastar-se da beirada,sair da margem ameaçadora,da zona
de perigo! Assim, você estará protegido de prováveis riscos. Obviamente não cairá no abismo.
Evitará a dor da perda, a angústia da dúvida, a ansiedade do encontro e,specialmente,
o alto preço da entrega!
Parece muito boa esta opção, não? Eu diria que ela tem lá as suas vantagens.Porém, como tudo
o mais na vida, ao optar pelo distanciamento, você estará abrindo mão de algumas
possibilidades agradavelmente superiores.
A vida é uma sucessão ininterrupta de possibilidades, nem sempre controláveis,mas na maioria
das vezes, influenciáveis. A todo instante, pode ser que sim ou pode ser que não.Mas no final
das contas, se “sim” ou se “não” está diretamente relacionado com a sua escolha,seja ela
consciente ou não, seja ela feita a partir de muitas opções ou a partir da falta de opções.
Portanto, se a sua pergunta é “Pode?”, a resposta é “Sim!”. Tudo pode, inclusive
afastar-se do abismo...
SEGUNDA:
Colocar-se em posição de espera, à beira do abismo. Vai dar medo de cair a qualquer momento,
é verdade! Saber-se diante de um “espaço que não tem fim” parece uma posição pouco segura.
Talvez seja mesmo. Mas de fato não é segurança o que buscamos, e sim preenchimento, troca,
o silêncio que responde todas as nossas perguntas...
Se você conseguir, permaneça aí até que esteja pronto para se entregar. E, então,chegará o
instante em que você simplesmente se dará conta de que já não mais está às margens do amor.
Caiu... entregou-se. Está perdidamente solto no abismo.Este é um momento indescritível,a
visão real do oásis, a sua grande chance! Eis que você tem agora, no exato instante da
percepção, não só a terceira, mas também novamente a primeira opção.Ou seja, pode voltar,
pode alcançar a beirada, agarrar-se às paredes e subir de volta.E tendo recuperado seu chão,
pode dar os dez passos para trás... Ou, antes disso, pode avançar para a terceira opção.
TERCEIRA:
Deixar-se tão vulnerável, tão desarmado e tão conscientemente indefeso que qualquer chão se
esvai, abrindo-se para o abismo do amor.Esta também parece, em princípio, uma atraente opção,
não?! E realmente é! Entretanto, eis que aqui é cobrado o preço que poderia ser evitado na
primeira opção: o da entrega!Inevitável! Entregar-se custa... e custa caro! Mas caras são
todas as preciosidades existentes.Caras são as melhores experiências que alguém pode viver.
Portanto, vale a pena pagar o preço.E a sugestão vai para você que ficou com a segunda
ou a terceira opção. O amor é um abismo, um desafio, uma aventura,um risco.O amor contém todas
as possibilidades, porque é flexível,inteiramente moldável, do começo ao fim.
Deixar-se cair no abismo é permitir-se todas as nuances das probabilidades afetivas.
E isso inclui os problemas, as diferenças,as expectativas frustradas e as desilusões.Inclui até
o desamor, porque a gente nunca sabe do amanhã...E quando tudo isso lhe parecer uma opção “furada”,
uma escolha duvidosa, uma grande armadilha,esteja certa de que chegou o momento de expandir.
Não há dor em vão, não há luz sem escuridão,não há arco-íris sem chuva... Porque o amor é fruto
amadurecendo, é coração em processo de escoberta, é transcendência em movimento.O amor é
dinâmico e exige escolha,uma depois da outra,a todo instante.Lembre-se das opções.Fique atento às
suas escolhas. Ainda que espere, à beira do abismo, esteja sempre a um passo do amor... e quando
menos imaginar, estará envolvido sem que você tenha tempo de evitar! É o que eu desejo!
(Rosana Braga)
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