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entrevista com o Kaká \/
O que você gostaria que o seu filho Luca fosse na vida? Jogador de futebol, pastor ou político?
Durante a minha vida, meus pais me incentivaram a fazer aquilo que eu gostaria de fazer. Eu sempre gostei de jogar futebol e sempre quis ser jogador. Então eles falaram: “Quer ser jogador? Vai estudar, você tem condições de conciliar as duas coisas. Agora, se você for jogador, você vai ter essas dificuldades e esses privilégios; se você for engenheiro (como meu pai era) você vai ter esses privilégios e essas dificuldades. Tudo na vida vai ter esses dois lados, então faça o que você gostar”. É mais ou menos isso que eu vou passar para o meu filho. Sinceramente, não tenho uma preferência. Se ele quiser ser jogador, eu vou incentivá-lo. Porque já vi muita gente que o pai empurrou a fazer uma coisa que ele não queria ou não tinha capacidade, e aí o cara crescia frustrado e com sérios problemas.
Você estudou até que ano? Tem vontade de continuar? E, se tem, de estudar o que?
Eu terminei o terceiro colegial. Tenho vontade quando eu parar de jogar, talvez. Eu terminei o colégio com 17 anos e aos 18 subi para o profissional. Então tive um ano para escolher o que fazer. Escolhi que ia fazer educação física. Mas subi para o profissional e não deu tempo de fazer a faculdade. Passaram dois anos e eu pensei: não é mais educação física; se eu for fazer uma faculdade, hoje, vou fazer administração. E hoje eu já não faria nenhuma das duas, faria economia. Por isso que eu acho que um menino de 18 anos raramente tem condições de escolher o que vai fazer da vida.
O nascimento do Luca mudou a maneira de você ver o seu trabalho? À parte o fato de que você agora vai dormir menos, você já pensou, por exemplo, que talvez não seja bom mudar de país com freqüência?
Até agora não mudou meu jeito de ver, até porque eu não tenho essa vontade de ficar mudando [de país], como eu já dizia antes mesmo dele nascer. Mas é claro que nunca se sabe: um dia eu posso não estar legal no Milan, o Milan não estar tão satisfeito comigo e aí acaba aparecendo uma mudança. Acho que uma mudança ou outra não seria tão radical, mas é claro que não é legal ficar mudando o tempo inteiro. Eu já vi o exemplo de pessoas que fizeram isso, e os filhos realmente sofrem com essas mudanças. Mas a principal mudança é a responsabilidade. E eu vou sofrer muito quando tiver que ir para concentração... ou não, né? Alguns dizem que é um alívio (risos).
Você tem consciência que o seu filho vai crescer como um italiano? Você está entrosado com a cultura de lá a ponto de isso não te incomodar?
Eu amo a Itália. Gosto muito, e hoje sou um italiano também. Peguei a cidadania da minha esposa e não sou mais um extra-comunitário dentro da Itália. Então ele vai ter essa possibilidade de ter essa dupla cidadania, e é claro que esses anos em que ele ficar por lá ele vai crescer desta forma. Virá para o Brasil toda vez que a gente vier, mas vai crescer na Itália. Ele já tem nome italiano (risos).
Depois de tantas entrevistas que você já deu, qual a pergunta que não te fizeram ainda e que você gostaria de responder?
Não faço idéia, nunca pensei nisso. Mas normalmente, quando eu tenho vontade de falar alguma coisa, eu encaixo em alguma resposta. Vou puxando a resposta para o lado e no fim falo aquilo que quero (risos).
Você pode contar para gente a história do acidente que você sofreu no começo de carreira e que criou essa sua ligação tão grande com a religião?
Na verdade, muita gente liga esse acontecimento com minha ligação religiosa, mas não tem nada a ver. Eu cresci num lar evangélico, meus pais são evangélicos e desde que nasci freqüento a igreja. Esse episódio foi em outubro de 2000. Eu era titular dos juniores do São Paulo e fiquei suspenso num fim de semana. Meus avós paternos moravam em Caldas Novas. Eu fui pra lá e, descendo num ‘toboágua’, bati com a cabeça no fundo da piscina. Meu pescoço virou e nessa virada eu fraturei a sexta vértebra do pescoço. Saí da piscina, e meu irmão [Digão, hoje zagueiro do Milan] veio logo atrás de mim, viu que estava sangrando e me levou para o hospital. Aí meus pais chegaram, o médico fez uma radiografia, me deu os pontos na cabeça e não viu nada. Eu continuei com dor, mas voltei para São Paulo, treinei e na sexta-feira não estava agüentando de dor e falei que precisava fazer um exame. Aí fui no hospital e fizeram a radiografia. O médico vinha e voltava o tempo todo e perguntava: “Você está legal, está formigando o braço? Você sente o braço?”. Eu falei que estava tudo bem e perguntei se tinha acontecido algo. Ele falou “Eu não posso dizer nada, quem vai te falar é o médico especialista”. Aí ele me chamou na sala, perguntou se eu estava bem e falou “Você teve um acidente muito sério, quebrou o pescoço e teve muita sorte de não ter acontecido nada mais sério, de não ter ficado paralítico”. Todos os médicos em que eu fui falaram que eu tive muita sorte. E daí eu acredito que foi uma coisa de Deus, de ter me livrado de um problema mais sério. Eu fiquei três meses com colete cervical, e quem entrou no meu lugar foi o Hugo [hoje meia do São Paulo]. Por isso virei reserva dos juniores.
Muita gente comenta que o Digão, seu irmão, só ganha o que ganha do Milan [1 milhão de euros por ano] porque o clube não podia pagar a você mais do que o seu teto salarial. Você fica irritado ou lisonjeado com esse tipo de especulação?
Então vou ter que cobrar esse percentual aí dele (risos). Não, não é uma coisa que me incomoda, para mim isso é normal. Até porque meu irmão sabe — e eu também sei — que ele vai viver essa cobrança de ser meu irmão até o dia em que ele “se sustentar” e falar “eu sou o Digão e não mais o irmão do Kaká”. O ano passado, quando ele jogava no Rimini, ninguém mais falava que ele era o zagueiro irmão do Kaká. Esse ano ele veio para o Milan, não teve tanta oportunidade de jogar, mas ganhou muita experiência. Provavelmente ele agora quer sair, para poder jogar, e aos poucos vai se desvinculando disso. Mas isso para a gente não é um problema. Ele nunca levou o fato de ser meu irmão como um problema. Isso nunca o afetou, então eu não me preocupo com isso.
Comentários
1 - /myworldpink em 08/07/2008 às 18:14 disse: passsa la sempre ;) bjinhus
2 - /s2jessemccartneys2 em 08/07/2008 às 18:15 disse: oi aki ta lindo vai la ta tendo festinha di niver di um mes passa la :)
3 - /alxpato em 08/07/2008 às 18:18 disse: quee lindoo na fotoo adorei a entrevistaa ;D beijos
4 - /kathryn em 08/07/2008 às 18:24 disse: oi! essa entrevista que ele deu ta perfeita! eu não sabia desse assidente =x e vc sabia antes de ler essa entrevista??
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