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"Sou feita de partes soltas, histórias que o tempo não voltou pra buscar. Carrego pedaços que o mundo deixou cair pelo caminho. Mas foi assim que aprendi a olhar diferente. Reconheço de longe quem também se reconstruiu com o que sobrou. Gente que não nasceu inteira, mas aprendeu a se amar mesmo em fragmentos. E talvez seja isso que nos torna tão humanos."
Cada vez que uma mulher diz à outra, direta ou indiretamente, o que ela deve ou não fazer ou como ela deve ou não ser, uma parte da ideia de sororidade tomba. E eu sei que essa talvez seja uma das reflexões mais indigestas quando pensamos no patriarcado que nos habita, ou seja, que habita a nós mesmas, mulheres. Porque é mais fácil defender a sororidade em relação às mulheres que, minimamente, enxergam o mundo, a vida e o perverso sistema normótico patriarcal como nós enxergamos. Mas e quando uma mulher age, fala, se expressa ou defende algo completamente contrário ao que acreditamos? Aqui a sororidade tente a tombar para dar espaço ao julgamento, ao estabelecimento de regras e ideias e ideais de como aquela mulher deveria ser, o que ela deveria fazer, pensar, usar. E sim, a justificativa é bonita: "Você deve fazer/ser assim, fazer/ser assado para lutar contra o patriarcado". Acontece que a experiência de vida é única para cada mulher, inclusive a sua experiência diante desse patriarcado. Cada uma de nós vive, à sua maneira, as dores e dissabores desse sistema castrador e opressor. Consequentemente, cada uma vai reagir a ele da maneira como entender cabível e, principalmente possível. Porque, a depender do tamanho da dor, vai muito tempo para que o nosso sistema egóico dê conta de agir fora da caixa. E, muitas vezes, manter-se adaptada é o que é possível. Isso não significa passar a mão na cabeça daquilo que estamos vendo como um comportamento que mantém essa mulher presa àquilo que ela quer se libertar, mas significa ter compaixão e respeito ao processo de cada uma, à sua jornada de vida diante desses desafios. Isso me faz lembrar o momento da minha vida em que eu estava imersa em um "Rolê" totalmente equivocado. Mas eu não tinha consciência disso. E aí, uma grande amiga-irmã-de-alma (E ela certamente saberá quem é) estava ali do meu lado, me acompanhando, sem reprimir, castrar ou ditar regras. Quando despertei dos meus equívocos e autoenganos, nitidamente compreendi que ela sempre soube que eu não estava em um bom caminho para mim. E quando, no tempo justo e devido, conversamos sobre isso e ela me disse mais ou menos assim: "Sim, eu sempre soube e, bem por isso, quis ficar ainda mais perto de você, para ver até onde isso iria e se chegaria algum momento em que eu deveria intervir." Não precisou. Acordei antes disso. E foi assim que eu soube que, desde o começo da minha bagunça, até a tomada de consciência, eu sempre estive sob seus olhos, cuidados e, sobretudo, respeito em relação às minhas próprias escolhas. Se isso não é sororidade real, visceral, de corpo alma e coração, não sei o que mais poderia configurar essa irmandade, essa cumplicidade que não julga, não rivaliza e não oprime, mas apoia e sustenta, com ética e amorosidade, na genuína luta contra a dinâmica desse nefasto sistema patriarcal.

— .(Escrito dia 12/03/2026, às 17:15).


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