Sabe que às vezes eu queria decorar a textura da luz, o ritmo de todas as músicas. Inclusive dessa que escapou agora pela janela do vizinho e redefiniu o que era o silêncio dessa casa pela manhã. E aà bate essa urgência de caçar as palavras, caçar as letras e não deixar a cena desaparecer na próxima curva, de encontrar o verbo exato que dê conta de traduzir, de construir uma âncora com o que se vê, de amarrar a atenção no que parece comum. Não é isso a escrita? Essa tentativa de segurar um tempo com as mãos, por isso as coisas se embaralham, a cor do céu, o calor na pele. Talvez seja essa minha forma mais pura de ler o mundo, tateando a textura de cada segundo até ele fazer sentido. O que me fixa no detalhe, no reflexo, no cheiro, no som distante, é a minha insistente vontade de encontrar algo mágico enquanto a vida só acontece.
— .(Escrito dia 21/03/2026, às 21:34).


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